NORMAS NACIONAIS PARA PREVENÇÃO DO

7m ago
41 Views
0 Downloads
2.25 MB
39 Pages
Transcription

PROGRAMA NACIONAL DE PREVENÇÃOE CONTROLO DO CANCRO DO COLOUTERINO E DA MAMANORMAS NACIONAISPARA PREVENÇÃO DOCANCRO DO COLO UTERINOMISAUMinistério da Saúde

Ficha TécnicaFICHA TÉCNICATítulo: Normas Nacionais para Prevenção do Cancro do Colo UterinoAutor:Maria Manuela Calado Martins CunhaCoordenação:Carla Silva Matos, MD, MPHEspecialistas em Saúde PúblicaInstituições colaboradoras:OMS, UNFPA, USAID, JhpiegoEdição e formatação:Grafismo e impressão:Pixel - Comunicação & Imagem2ª EdiçãoTiragem: 1500 ExemplaresMinistério da SaúdeAv Eduardo Mondlane/Salvador Allende1008 – MaputoMoçambiquewww.misau.gov.mz

PrefácioPREFÁCIOO cancro do colo uterino, é em todo o mundo o 2º cancro mais frequente no sexofeminino, e representa cerca de 10% de todos os cancros na mulher adulta, afectandocerca de 1,4 milhão de mulheres.Estimativas indicam que todos os anos são esperados em todo o mundo cerca de 273.000mortes devido ao cancro uterino. Um quarto destas, ocorrem em países em vias dedesenvolvimento, dos quais Moçambique faz parte.Dados não publicados do Serviço de Anatomia Patológica do Hospital Central do Maputo,indicam que o cancro do colo uterino, neste momento, é a neoplasia maligna maisfrequente na mulher adulta representando mais de ¼ de todos os cancros diagnosticadosem doentes do sexo feminino no mesmo hospital.O cancro do colo uterino é uma doença prevenível e a maioria dos factores de risco estãoligados a estilos de vida não saudáveis. O cancro do colo uterino quando instalado é deprogressão lenta, excepto em pacientes imunodeprimidas. É portanto muito importanteo diagnóstico e tratamento precoces das lesões primárias do colo antes que se tornemmalignas, para evitar a morte prematura das mulheres.A Sessão Especial da Conferência de Ministros da Saúde da União Africana, realizada emMaputo em 2006, recomenda no seu Plano de Acção para a Implementação do Quadro daPolítica Continental para a Saúde e os Direitos Sexuais e Reprodutivos 2007-2010, aprovisão dos serviços de rastreio e manejo do cancro do sistema reprodutivo. É nocumprimento desta recomendação que Moçambique criou um Programa Nacional para aPrevenção e Tratamento do Cancro do Colo do Útero e da Mama.Estas Normas visam assegurar que os profissionais de saúde, em particular os de nívelprimário e secundário disponham de instrumentos práticos que permitam um melhordiagnóstico e tratamento do cancro do colo do útero, em benefício da mulher e dacomunidade como um todo.O Ministro da SaúdeProf. Dr. Paulo Ivo Garrido

ApresentaçãoAPRESENTAÇÃOEstas Normas Nacionais de Prevenção do Cancro do Colo Uterino são uma ferramentaprática para todos os profissionais de saúde e foram concebidas para serem usadas porformadores e provedores de Cuidados de Saúde. Constituem uma adaptação das“Directrizes para a Prevenção do Carcinoma do Colo Uterino” Jhpiego 2005 , para arealidade de Moçambique estando em conformidade com as recomendações daOrganização Mundial da Saúde.Estas Normas são para a prevenção do cancro do colo uterino, com ênfase na utilizaçãoda técnica da inspecção visual do colo do útero com uso do ácido acético (VIA) etratamento das lesões percurssoras através da crioterapia, de modo a possibilitar adetecção e tratamento precoce da doença.O rastreio do cancro do colo uterino é uma intervenção nova em Moçambique. Por issorequer um aumento da consciencialização para este problema a nível das comunidades.Deste modo, a informação e a educação são requisitos importantes neste programa.

ÍNDICEÍndiceFICHA TÉCNICAPREFÁCIOAPRESENTAÇÃOÍNDICELISTA DE ABREVIATURAS1. INTRODUÇÃO .12. O COLO DO ÚTERO .23. FACTORES DE RISCO NO APARECIMENTO DO CANCRO DO COLO UTERINO .34. COMO PREVENIR O CANCRO DO COLO UTERINO ? . 44.1. -Prevenção primária: . 44.2. Prevenção secundária: .54.2.1. O rastreio .55. QUAIS AS LESÕES QUE PODEMOS ENCONTRAR NO COLO UTERINO? .55.1. HIV/SIDA, infecção por HPV e Cancro do Colo Uterino .66. QUAIS OS SINAIS E SINTOMAS DAS LESÕES DO COLO UTERINO? .77. COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO DAS LESÕES DO COLO UTERINO? .77.1. Teste de Papanicolau ( Pap teste ) .77.1.1. Como fazer a colheita da amostra .87.2. Teste de Inspecção Visual com uso do ácido acético a 5% (VIA) .87.2.1 Modo de aplicação: .97.3. Colposcopia .97.4. Teste de HPV-DNA .108. TRATAMENTO .118.1. Complicações do tratamento ou efeitos secundários da crioterapia? .128.1.a) Infecção pélvica .128.1.b) Estenose do colo uterino .129. A QUEM E QUANDO SE DEVE FAZER O RASTREIO DO CANCRO DO COLO UTERINO.139.1. Critérios para aplicação do VIA .139.2. EM QUE SITUAÇÕES SE DEVE FAZER A CRIOTERAPIA? .149.3.Técnica de Crioterapia . .149.4. Efeitos colaterais esperados da crioterapia .159.5. Sinais de perigo .169.6. Seguimento das pacientes que foram submetidas a crioterapia .169.7. Qual a conduta a ter, caso o tratamento a fazer não seja a crioterapia? .1610. ESTRATÉGIAS PARA CAPTAÇÃO E ABORDAGEM DE MULHERES PARA O RASTREIOPRECOCE DO CANCRO DO COLO .17

11. COMO ORGANIZAR UM SERVIÇO DE CRIOTERAPIA? . 1711.1. O gabinete de consultas .1711.2. Registos .1811.4. Cartão individual .1811.5. Controlo de qualidade para VIA .19ANEXOS .20Anexo I. FLUXOGRAMA para prevenção do Cancro do Colo Uterino .21Anexo II - LIVRO DE REGISTO DO RASTREIO .22Anexo III- FICHA DE REGISTO para rastreio do cancro do colo uterino .23Anexo IV- Tabela 1-6. Provisão de serviços de prevenção do cancro do colo uterino (por nívelde unidade de saúde e pessoal).24Anexo V - Algoritmo de referência .25Agradecimentos:

Lista de abrevLISTA DE ABREVIATURASCINNeoplasia intra epitelial cervicalCIN INeoplasia intra epitelial cervical de baixo grauCIN II/IIINeoplasia intra epitelial cervical de alto grauDUMData da Última MenstruaçãoFRFactores de riscoFVFilhos VivosHPVPapiloma vírus humanoHIVVírus da imunodeficiência humanaINEInstituto Nacional de EstatísticaITSInfecção de transmissão sexualJECJunção escamo-colunarLEEPProcedimento de Excisão por Electrocirúrgia (Loopelectrosurgical excision procedure)MAPMedroxiprogesterona injectávelMISAUMinistério da SaúdeOMSOrganização Mundial de SaúdePAP TESTE Teste de PapanicolauSIDASíndrome de Imunodeficiência AdquiridaSAPServiço da Anatomia PatológicaUSUnidade SanitáriaVIAInspcção Visual com Ácido Acético (Visual inspection withaceticacid)ZTZona de Transformação (transição)

N O R M A S N A C I O N A I S PA R A P R E V E N Ç Ã O D O C A N C R O U T E R I N O1. INTRODUÇÃOO cancro do colo uterino, em todo o mundo é o 2º cancro mais frequente no sexofeminino, e representa cerca de 10% de todos os cancros na mulher adultaafectando cerca de 1,4 milhão de mulheres em todo o mundo (Ferlay et al. 2001).As regiões geográficas de mais alto risco, são os países em vias dedesenvolvimento, dos quais, Moçambique faz parte.Estimativas indicam que todos os anos são esperadas em todo o mundo cerca de273000 mortes por cancro do colo uterino, e um quarto destas, ocorrem em paísesem vias de desenvolvimento.Em África os níveis de mortalidade são anormalmente altos, porque, em geral,quando a mulher recorre aos serviços de saúde, já é demasiado tarde.Em Moçambique, dados não publicados do Serviço da Anatomia Patológica (SAP)do Hospital Central de Maputo, indicando que o cancro do colo uterino, neste1momento, é a neoplasia maligna mais frequente na mulher, representandomais deum quarto de todos os cancros diagnosticados em pacientes do sexo feminino nomesmo hospital.O Registo do Cancro, na cidade da Beira em 2005 e 2006, mostrou que o cancro docolo uterino encontra-se em 2º lugar entre todos os cancros, sendo o 1º entre as2mulheres, e que aproximadamente 80%, são diagnosticados numa fase inoperávelda doença.O cancro do colo uterino, é uma doença prevenível e é de progressão muito lenta,excepto em pacientes imunodeprimidas. É portanto, muito importante sabermosdiagnosticar as lesões do colo antes de se tornarem malignas, de modo a evitar amorte prematura das mulheres.Dada a importância do cancro do colo uterino na mortalidade das mulheres, impõese a criação de “Um Programa de Rastreio e Tratamento das Lesões do ColoUterino” a nível nacional.1

2 . O CO LO D O Ú T E R O2. O COLO DO ÚTEROO colo do útero é a porção mais distal do útero. Encontra-se no fundo da vagina. Écilíndrico, medindo aproximadamente 3cm de comprimento e 2cm de largura.Possui uma consistência semelhante à cartilagem do nariz.Ele é constituído por um orifício endocervical, ou interno e por um orifícioexocervical, ou externo. Ambos estão unidos pelo canal cervical ou canalendocervical É através deste canal que o útero se comunica com a vagina.A parte interna do colo está coberta por um epitélio colunar (cilíndrico). Este epitéliopossui uma só camada de células cilíndricas que segregam muco. A parte externado colo está coberta por um epitélio estratificado (escamoso), igual ao epitélio quecobre a vagina. O epitélio cilíndrico tem uma coloração vermelha devido àvisualização dos vasos sanguíneos por baixo da fina camada de células e o epitélioescamoso é menos avermelhado (cor de rosa) porque possui várias camadas decélulas. À união destes dois epitélios, cilíndrico e escamoso, dá-se o nome dejunção escamo-colunar (JEC).Ao longo da vida da mulher, parte do epitélio colunar pode avançar para a parteexterna do colo. Este fenómeno que está geralmente associado às variações daacção hormonal que ocorre na adolescência, gravidez, etc., é chamado de ectropioou ectopia e não é uma condição patológica.Esse epitélio cilíndrico exteriorizado sofre um processo de transformação fisiológicaatravés do qual as células glandulares vão sendo gradualmente substituídas porcélulas escamosas. Este processo é chamado de metaplasia escamosa e essa áreada mucosa substituída, que se situa entre a nova JEC e a JEC original (antes deocorrer a ectopia) é chamada de zona de transformação (ZT). Esta é uma zonaimportantíssima, porque as mudanças anormais do colo uterino, tais como aneoplasia intraepitelial cervical (CIN) e o cancro, desenvolvem-se quase semprenesta área do colo uterino.Esta zona do colo uterino vai-se modificando ao longo da vida da mulher. As suasalterações estão relacionadas com o ciclo hormonal. Assim a JEC e a ZT podemestar bem visíveis na mulher em idade fértil ou invisível na mulher menopausica,quando ocorre um processo inverso onde o epitélio escamoso invade o canalcervical, o que se denomina de entropia.2Programa nacional de prevenção e controlo do cancro do colo uterino e da mama

N O R M A S N A C I O N A I S PA R A P R E V E N Ç Ã O D O C A N C R O U T